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Diário de uma Balonada

19 Feb

11675Hoje fazem três dias que finalmente estou balonada!

A operação (se é que podemos chamar assim, já que não há corte e é feita por endoscopia) foi feita no sábado e foi um sucesso (só passamos um susto porque chegamos no hospital muito cedo e o doutor se atrasou muito pro procedimento; depois descobrimos que a secretária dele é que tinha nos passado o horário errado u__u”)

Na terça-feira já recebi um telefonema do enfermeiro, perguntando como eu estava, e colocando ele e o doutor a minha total disposição caso eu precisasse de alguma coisa. É muito reconfortante sentir esse acompanhamento de perto num momento como esse!

A sensação de ter um balão intragástrico é curiosa. É como se tivesse acabado de comer uma feijoada completa, só que o “empanturramento” não passa nunca =p

Nesse primeiro momento, o corpo ainda está se acostumando com o fato de que tem um “corpo estranho” dentro dele (isso me fez pensar em Aliens o.o”), então enjôos, azia e vômitos são normais, o que o médico já havia alertado.cute_kawaii_smiley_juice_jug_customizable_text_pitcher-r67689e49b30e40abbae382aea5afc63a_2wnov_400

O mais importante nessa fase é manter-se sempre hidratada sem “desrespeitar” o limite que meu estômago aguenta no momento. De 30
em 30 minutos bebo 50 ml de algum líquido — água, soro, água de coco, sucos naturais… (o médico recomendou Gatorade, mas como meu fígado nunca se deu bem com esse tipo de coisa, estou aqui só na água de coco, que nunca pareceu tão deliciosa ;D
)

Mas não é mesmo fácil…  além de ser difícil acertar a quantidade logo de cara, às vezes nem os remédios que o doutor passou dão conta dos efeitos colaterais. Na primeira noite, por exemplo, tive que dormir sentada, cercada de travesseiros, pois só de ficar na  horizontal a azia atacava com tudo.

O pior é que os enjôos constantes e esvaziamento do estômago acabam levando a desidratação — e com esse esquema de só beber um pouquinho de meia em meia hora, a sede acaba não sendo totalmente saciada. E se tomamos mais do que o “novo estômago” aguenta nesse primeiro momento, o excesso é expelido da pior maneira possíve — nem preciso dizer como, né? >.<

Com isso, no segundo dia tive que tomar um coquetel de soro + medicamento na veia, já que não estava conseguindo segurar nada na barriga. O médico já tinha deixado uma receita comigo, caso meu desconforto piorasse.

O choque foi chegar no hospital Santa Paula (onde eu sempre vou) e ouvir uma recusa de tratamento! Os atendentes se negaram a realizar o procedimento sob a desculpa de “a receita não ser de um dos médicos deles”. Seguimos pra um posto de saúde do bairro, onde ouvimos a mesma desculpa.

Agora pensem em mim num dos mais quentes dias do ano, com a boca seca, quase desmaiando de desidratação, e os funcionários apenas dando desculpa atrás de desculpa de porque NÃO iam me atender. 

human bing

Por sorte, liguei o bat-sinal e o doutor me orientou (declarando que a falta de atendimento era um absurdo, já que ele passa a mesma receita pra todos os pacientes, todas as semanas).  Sugeriu o hospital Alvorada, que cobria meu plano de saúde. No Alvorada me receberam muito bem, me atenderam relativamente rápido e aplicaram o tratamento direitinho. Eles aceitaram o receituário do meu médico sem problemas e me trataram após fazer uma guia própria, ou seja: a desculpa do Santa Paula e do Posto de Saúde eram pura balela, coisa muito fácil de resolver. A partir de agora, só vou no Alvorada, que nessa única vez me atendeu muito melhor que o Sta. Paula em todos esses anos nessa companhia central.

Depois de tomar o soro me senti outra! Os enjôos e dores passaram, e a sensação de boca seca passou por completo. Acredito que deva ser a mesma sensação que uma planta sente quando é regada =p

Isso tudo pode parecer horrível pra quem está “de fora”. Mas a verdade é que todos esses pesares parecem contribuir para a parte psicológica da coisa (a meu ver). Passamos a redimensionar as coisas que desejamos.

tumblr_m8f312RSIR1rsq4p3o1_500Enquanto estava no táxi, ontem, naquele calor infernal, não conseguia desejar nada com mais intensidade que um enorme copo de suco bem gelado. (Minha boca enche d’água só de pensar!)

Passamos a valorizar também o que é uma noite bem dormida e como é bom viver sem ter azia ou enjôos toda hora (na real, já estava tendo com frequência, antes do procedimento, por causa da má alimentação…)

Tudo isso parece o paraíso. E nem pensamos mais nos chocolates, doces e frituras.

(Claro que o fato de estar com o balão dando a sensação de saciedade ajuda…) =p

É um pouco complicado viver só de líquidos. Mas na próxima quinta feira devo fazer o retorno ao médico e passarei com a nutricionista, que vai me orientar quanto a essa nova fase. As duas primeiras semanas são as mais difíceis, mas logo deverei voltar a comer um pouco de tudo — desde que em pequeníssimas porções =)

Não vejo a hora de chegar nesse ponto… pra poder tomar um belo copão de suco 😉

Free_Juice_by_Tsubasafire

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